quarta-feira, julho 18, 2007

Reflexão (3)

Da Profa. Dra. Ana Cristina de Sá (Enfermeira, Psicóloga, Pedagoga), do Núcleo de Bioética do Centro Universitário São Camilo, de São Paulo, recebemos a seguinte história.


WALDEMIR

Ninguém podia entender...
Por que é que Waldemir não morria ?
Com 9 anos de idade ele corria, subia em árvores, nadava em rios, brincava de pular cela, pega-pega, empinar pipa, bolinha de gude, bafo...
Com 10 anos ele caiu de cama. Um tumor muito maligno chamado Wilms o derrubou. Acabou a brincadeira... Não tinha mais jeito. Quando ele chegou ao hospital para ser internado já estava tudo tomado... Somente o que restava era esperar o fim de Waldemir.
Ele parecia um morto-vivo: a cor da pele estava acinzentada; os olhos sem brilho e sem vida, semi-abertos, somente deixavam aparecer o branco da esclerótica; a pele estava enrugada, pois Waldemir era só pele e ossos. Seu corpinho ficou frio, frio, pois tinha que permanecer numa tenda de oxigênio. A respiração era agônica, lenta, arrastada...
O tumor fez seu abdome ficar grande. Ao ser aberto na cirurgia (e fechado a seguir, pois nada podia ser feito) estava infectado. Waldemir passou a exalar então dois odores: o da morte e o da infecção.
Aí me perguntava: por que é que Waldemir não morre ?
A mãe de Waldemir ali, ao seu lado, também me perguntou: por que é que Deus “num” leva ?
Num esforço de reflexões frente àquele quadro triste e que estava matando a todos (não somente Waldemir) dia-a-dia, uma “voz interna” sussurrou ao meu ouvido: “- Vá até lá ! Pergunte se falta ele ver alguém”.
- Mãe... tem alguém que ele goste assim... muito ! E que ele não tenha ainda visto desde que ficou mais doente ?
A mãe pensou e uns segundos depois respondeu: “- Tem a vó dele. É a pessoa que ele mais gosta e ela também é muito ligada ao menino. Ela que criou ele. Foi ele ficar doente e ter que vir prá cidade prá ela também ficar de cama”.
- Tem jeito de trazer a avó até aqui ?
- ‘Tem jeito não... Nóis é do Mato Grosso... Num tem como pagar a passagem.’
Vaquinhas daqui e dali, listas de contribuições, uma super força da assistente social, enfermeiras, pessoal de enfermagem, médicos, pessoal da limpeza, da nutrição, ascensorista... Todo mundo !
- Tá aqui, mãe: o dinheiro das passagens de ida e de volta e mais um bocado prá pagar a hospedagem. “Tráz” a vó prá ver o Waldemir, tá ? E rápido !
Eram umas 2:30 da madrugada, uns três dias depois... O telefone tocou:
- Alô, aqui é do Registro. Tem uma senhora aqui dizendo que é a avó de um paciente internado... ahn... Waldemir...
- Manda subir já !!!
- Mas tá fora do horário de visita e...
- Eu autorizo. Assumo a total responsabilidade.
- Não quero rolo prá cima de mim.
- Se tiver rolo vai ser prá cima de MIM. Pode deixar. Manda subir e vê se vai rápido, OK ? É um caso de vida ou morte.
- Tá bom. Vou colocar aqui que foi você quem autorizou.
- Tenho cobertura até do Papa. Vai firme que o Criador tá a nosso favor nessa.
A avó de Waldemir chegou. Estava esperando por ela no corredor, em frente ao elevador. O elevador abriu as portas. Ela: simples, vestido de algodão florido, meias de lã, lenço na cabeça, óculos antigos, grossos e gastos, um sapato daqueles velhos, solas gastas, quase um chinelo.
- O Waldemir tá esperando a senhora. Olha... ele está muito mal... parece que não passa de hoje e...
- Pode deixar, filha... Eu sei como está o meu neto. Eu venho sentindo como ele está há muitos dias...
- Sentindo... como assim ?
- Eu sinto... só isso. Coisa de vó. Um dia cê vai entender, minha fia...
Ela entrou na enfermaria como se soubesse exatamente o que tinha a fazer, determinada, com um objetivo previamente traçado.
Foi em direção ao garoto que, a essa altura do campeonato nem abrir os olhos abria. Todos pensávamos que ele já estivesse em coma, pois não respondia a ordens verbais e muito pouco a outros estímulos.
- Fio... Aqui é a vó. Vim abençoá ocê prá poder ir em paz pros braços de Deus... Vai em paz, fio...
Waldemir abriu os olhos (de repente com vida - uma vida tão intensa quanto eu nunca havia visto naqueles olhos), virou a cabeça na direção da avó, sorriu (um sorriso de uma orelha a outra), apertou a mão dela e, ainda com o sorriso estampado no rosto, parou. Foi encontrar-se com o Criador.
Waldemir estava esperando a avó para se despedir deste mundo.
Por quê não percebemos isso antes ? Será que ficamos embotados ao nos preocuparmos tanto com as “possibilidades científicas controladas” que nos esquecemos de notar as coisas realmente importantes (e nada controladas cientificamente), em termos humanos ?
A serviço de quem estamos no hospital trabalhando ?
Pelo menos foi maravilhoso perceber o esforço de toda a equipe para reunir o dinheiro para trazer a avó de Waldemir.
Como acabou a história: ela nos agradeceu, beijou a face de cada um dos que estavam no quarto na hora (um médico residente, uma auxiliar de enfermagem e eu), despediu-se e foi embora, num passo lento e arrastado pelo corredor, em meio à escuridão da noite. A mãe de Waldemir saiu atrás dela e perguntou se não queria ir com ela para a pensão onde estavam hospedados. Ela disse que não. Havia um ônibus de volta em quatro horas e ela iria voltar.
Sua missão estava cumprida. Nada mais tinha a fazer aqui.
A última coisa que vi foi a porta do elevador fechando-se e aquele rosto forte, com muitas rugas, moreno, marcado pelo sol que o castigou pelos anos a fio de trabalho na roça. Um rosto forte e, ao mesmo tempo, seguro de si, experiente, meigo e cheio de fé: uma fé inabalável nos desígnios de Deus. Uma fé invejável !
Enfermeira, médico, auxiliar: lágrimas contidas nos olhos vermelhos. Mãe chorando baixinho frente ao inevitável.
Avó: nem uma lágrima externa.
Mais um dos anjos que encontrei em meu caminho.

Separata do livro: SÁ, Ana Cristina de, O cuidado do emocional em saúde. 2.ed. São Paulo: Robe, 2003.


Obrigada, Ana Cristina!

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sábado, março 24, 2007

Resultados (3)

Doença Grave vivida como uma Jornada Espiritual : Reflexões de Doentes Hematológicos

É hoje consensual que a Espiritualidade afecta as respostas humanas em relação à doença, sendo um factor importante a ter em conta no acompanhamento e tratamento dos clientes e seus familiares ou pessoas significativas.
No entanto, esta abordagem tende ainda a ser vista com alguma incredulidade por alguns profissionais de saúde, o que restringe o potencial da intervenção passível de ser alcançado. Os Enfermeiros, na minha opinião, continuam a ser os profissionais de Saúde melhores habilitados a realizarem este acompanhamento, quer no seu diagnóstico, quer no seu respectivo tratamento.
Não há actualmente falta de literatura sobre esta temática, mas antes uma ausência de divulgação dos artigos científicos já publicados, estando o seu acesso limitado aos que dispõem de assinaturas ou aos que têm facultado a acesso às bases de dados.
É por isso que considero importante relatar essas experiências, de forma a que a abordagem da Espiritualidade pelos Enfermeiros seja cada vez mais profissionalizante...

Em anterior artigo neste blog, tive o grato prazer de ver publicado um comentário sobre um artigo que relatava o desenvolvimento de um Modelo de Apoio Espiritual a clientes e seus significativos em situação de Doença Crítica. Considero a criação destes modelos de grande importância, pois esta abordagem necessita de ser científica, e não limitada à subjectividade de cada um.
No entanto, é igualmente imprescindível perceber as necessidades e os percursos dos clientes que necessitam de Apoio Espiritual, de forma a que a nossa intervenção atinja os resultados desejados.
Desta forma, apresento aqui o meu comentário a um artigo de P. Mcgrath (*), publicado no European Journal of Cancer Care (2004). O autor colaborou num estudo patrocinado pelo "Queensland Cancer Fund" (na Austrália) que, durante dois anos, pretendeu perceber a relevância da Espiritualidade e da Dor Espiritual nos doentes hospitalizados, nos seus cuidadores, nos profissionais de saúde, nos sobreviventes e nos doentes sob tratamento. O estudo realizado pelo autor abordou só os clientes sobreviventes com diagnósticos hematológicos (Leucemia, Linfomas, Mielomas). Segundo o autor "os pacientes com estes diagnósticos clínicos enfrentam um potencial risco de vida associado a tratamentos invasivos, agressivos, que se extendem por longos períodos de tempo" (tradução livre). Estes clientes aceitaram colaborar no estudo e serem submetidos a entrevistas.
Os resultados apresentados pelo autor referem que todos os participantes no estudo descreveram a sua experiência como doentes como uma Jornada Espiritual que teve consequências directas no seu crescimento pessoal e no seu "sentido de vida". Esta descrição surgiu num contexto em que a maioria dos participantes não tinham actividade religiosa nem necessariamente uma crença em Deus ou na Vida após a Morte. É referido pelo autor que os doentes referiam "sentir-se protegidos, sentirem-se escolhidos para encontrarem um sentido para a sua vida, mas sem referência a crenças ou a vivências religiosas" (tradução livre).
Para mim, estes resultados funcionam como um alerta, pois implica que todos os clientes em situação de doença grave podem necessitar de cuidados espirituais, independentemente da sua opção religiosa ou convicções e crenças.
Outro resultado referido é que os doentes submetidos a tratamentos agressivos com risco de vida, tornam-se mais conscientes da fragilidade da vida humana e da sua própria mortalidade.
É ainda descrito que os clientes sentem ser "salvos" por uma razão, o que os leva a considerar a existência de um "poder". É referido pelo autor que "o sentir-se escolhido é acompanhado pelo sentir-se protegido, pelo que mesmo quando chegar o fim (leia-se morte...) este decorrerá favoravelmente" (tradução livre). Esta conclusão, para mim, implica que os cuidados espirituais não estão condicionados pelos prognósticos clínicos.
É ainda relatado que "os participantes indicaram que uma aproximação espiritual à doença e ao tratamento foi útil e providenciou que esta fosse observada de uma forma positiva" (tradução livre). Esta conclusão reforça o papel importante que os profissionais de saúde podem ter no acompanhamento destes clientes.
Sem retirar importância à restante equipa multidisciplinar, reforço a minha convicção de que os Enfermeiros se encontram em condições para estar na vanguarda no acompanhamento destas necessidades.
Obviamente, este artigo é suficientemente rico em resultados e deve merecer uma leitura mais aprofundada pelos interessados no tema. Por mim, pretendi apenas salientar algumas conclusões, que a serem tidas em conta, podem ajudar a melhorar os resultados dos nossos cuidados.

Carlos Cargaleiro

(*) Mcgrath, P. - Reflections on Serious Illness as Spiritual Journey by Survivors of Haematological Malignancies. European Journal of Cancer Care, nº 13, 2004, pág.227-237.

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Reflexão (2)

Recebi há dois dias um e-mail de uma colega, que me deixou a pensar...
Porque devem os Enfermeiros interessar-se pela Espiritualidade, incluindo-a como dimensão de cuidado?
Todos nós independentemente das nossas crenças, convicções, rituais, somos seres espirituais. Mesmo os que dizem não acreditar, mesmo os que dizem não praticar...
Falo por mim, que não pratico.
É de esperar que Enfermeiros que sejam crentes e que pratiquem estejam mais predispostos a aceitar esta dimensão nos seus cuidados. Será de esperar inclusive que as experiências vivenciadas os enriqueçam na sua espiritualidade.
Mas não deve ser esse o fulcro da questão. Não deve importar no que os enfermeiros acreditam, mais sim no que os seus doentes e seus familiares crêem.
Como ajudar um idoso que teve um AVC, na sua reabilitação, se este deixou de ter esperança no seu tratamento?...
Como ajudar um doente com cancro, a fazer quimioterapia paliativa, a enfrentar o seu sofrimento, cada vez mais crescente?...
Como ajudar uma filha, que vê a sua mãe com uma doença degenerativa, perdendo cada vez mais funções?...
As intervenções a efectuar não podem ser baseadas na subjectividade, fruto de uma inspiração de momento... devem ser como todas as outras intervenções de enfermagem, científicas.
É necessário saber mais.
Se tivermos receio de abordar esta temática (que é privada e íntima, como outras...) por vergonha, receio do ridículo... não será por isso que os problemas não estarão lá, não será por isso que os doentes e suas famílias não continuarão a sofrer, não será por isso que os enfermeiros se sentirão melhor.
É óbvio que nem todos os doentes terão a sua dimensão espiritual afectada e precisarão de cuidados de enfermagem, mas é indispensável que quem deles necessite os tenha... e intervir nesta dimensão implica contribuir para a sua saúde em geral, como é reconhecido inclusive pela OMS.
É nisto que acredito, é nisto que tenho Fé...

Carlos Cargaleiro

sexta-feira, janeiro 05, 2007

Escutar os outros (5)

Forgiveness is the economy of the heart... Forgiveness saves the expense of anger, the cost of hatred, the waste of spirits.

Hannah More

sábado, dezembro 30, 2006

Escutar os outros (4)

The most beautiful thing we can experience is the mysterious. It is the source of all true art and all science. He to whom this emotion is a stranger, who can no longer pause to wonder and stand rapt in awe, is as good as dead: his eyes are closed.

Albert Einstein

quarta-feira, dezembro 27, 2006

Narrativas (5)

1. Hoje uma reunião especial de família. Conversámos sobre o amanhã que será novamente duro de aguentar. Lembrámo-nos daquela primeira vez há já um ano e sete meses. Sofremos imenso com a vinda indesejada de um carcinoma que nos mobilizou a todos qual exército em estado de alerta, de prevenção. Permitimos que um maligno nos atormentasse. Mas jamais nos demoveu da confiança em Deus, cujos desígnios são insondáveis. Para quem não crê, nunca entenderá esta nossa serenidade com tumor e temor. Dizemos pois, do tumor à esperança... com fé!

2. Um dia inteiro no Hospital, desde as 09h30. Acompanho-o para mais uma cirurgia depois de ter sido detectado um carcinoma. Inicialmente, mostrava-se calmo. Com o decorrer das horas, vai sendo notória a ansiedade em crescendo. Os receios de ser detectado mais do que já se sabe, manifestam-se sob a forma de perguntas retóricas. A perplexidade sobre o resultado de uma tal intervenção médica vai substituindo o riso por um olhar cada vez mais fixo num horizonte abstracto. Manifesta-se cada vez mais apreensivo e já não suporta tanta espera, pois são já 16h30. De repente, entra no quarto um enfermeiro de serviço ao “talhante”, com uma maca sobre rodas e chama pelo doente. Deitado sob um lençol branco, a caminho do bloco operatório, olha-me e diz - «Agora é que é...!». Coloquei a minha mão direita na sua cabeça e sorri-lhe, acenando a cabeça como quem diz - «Não temas. Espero aqui por ti.» E esperei no quarto, em silêncio, orando por ele, conversando com Deus a propósito de tudo. Eram 19h30 e uma enfermeira veio informar-me de que a operação foi bem sucedida e ele estava agora no recobro. Acrescentou ainda que o médico cirurgião viria para falar comigo. Fiquei aguardando. Agora estava eu ansioso. Desejava saber o que o médico teria visto por dentro dele, martirizado por uma terrível surpresa que atentava contra a sua qualidade de vida. Ele nunca entendeu a perda da vida como uma desgraça, pois a sua fé conduz os seus passos para a eternidade com Deus. Mas enquanto viver neste mundo, do lado de cá da passagem, luta por uma existência qualificada, gostosa e o menos dorida possível. Voltei a casa com ele no pensamento e no coração da amizade.

3. Desde ontem, a noite toda, mais a manhã até às 12h00 no Serviço de Cuidados Intensivos (no Hospital falavam-me em “recobro”), passou sem dores e sem dormir. Faltou-lhe o habitual comprimido que o sossega sonolento. Fui visitá-lo quase de imediato quando soube que já estava no seu quarto. Encontrei-o sorridente, a voz um pouquinho rouca, os olhos vivaces num rosto limpo, deitado, com um lençol apenas a tapar-lhe o corpo, qual corporal estendido sobre o altar para Aquele que se entregou por nós, o Salvador, Jesus Cristo. Vi dois drenos pelos quais escorriam sangue e uma água que parecia leitosa. Um penso enorme cobria grande parte do seu pescoço, o lugar de intervenção do “talhante”. Disse-me de imediato que não tinha dores e estava bem, apesar de tudo. Gostou imenso das flores que lhe ofereci. Entre elas, um girassol, com que se identifica, sempre voltado para Deus. Conversámos sobre as perspectivas de sair dali no dia seguinte e o tratamento a continuar. Chegou o médico, observou-lhe os drenos, viu por detrás do enorme penso, e soltou secamente - «Isto está bom. Coloque gelo sobre o corte, e amanhã já o mando para casa. Esteja sossegado, pois está tudo bem. Quanto ao que lhe retirámos, vai para análise. Numa observação macroscópica, julgo que é apenas aquele gânglio positivo. Mas só depois da análise microscópica é que saberemos com certeza o que encontrámos. Para já, estou confiante que limpámos tudo e que não deixámos lá nada de mal. Mas... depois veremos! Até amanhã.» Olhámo-nos e entendemo-nos sem palavras. Cúmplices no temor por causa do tumor e companheiros de uma mesma esperança por causa da única fé. No dia seguinte veio comigo para casa.

Frei Luís de Oliveira

terça-feira, novembro 28, 2006

Narrativas (4)

Um sorriso espontâneo. A alegria de regressar a casa: são e salvo! Como ele dizia. Para trás, as intempéries de um bloco operatório, onde esteve por duas vezes seguidas pois da primeira intervenção surgiu um hematoma que foi necessário remover com urgência. Olhando ao pescoço é caso para dizer «De papo cheio»! Um corte longo, embora não muito profundo. Conversa descontraído. Come e bebe naturalmente sem esforço. Transmite a imagem de um homem calmo e forte. Mas todos sabemos da sua fragilidade, da sua necessidade mais do que nunca das expressões de afecto, da sua incapacidade de aguentar as dores físicas. Desta vez não se queixa. Confirmamos que nada lhe dói no corpo. Mas dói-lhe que os resultados ainda não tenham vindo do exame feito a toda aquela ramificação linfática que lhe foi extraída e em que um dos nódulos é canceroso. Decide manter-se eremita em sua casa resguardado das perguntas incómodas dos familiares e amigos. Até saber tudo. Está profundamente apreensivo. Percebemo-lo sempre que o seu silêncio é acompanhado por um olhar vago e fixo num ponto sabe-se lá onde! Volta a si quando o interrompemos nessas viagens interiores em que se questiona sobre estas últimas páginas do seu livro que nunca pensou vir a escrever. Escreveu muito aulas, investigações, artigos, livros, conferências, cartas... Agora escreve sem saber como «Do tumor até à esperança... com fé.»

[enviado por Frei Luís de Oliveira, ofm]

sábado, novembro 25, 2006

Teoria (3)

A Saúde como tarefa Espiritual

A saúde espiritual, no processo global do cuidar, foi abordada por Dufner e Grun.
Os autores apontam algumas pistas para caracterizar uma espiritualidade como «saudável». São elas:

Mistagógica e não moralizadora
Mistagógica quando introduz ou inicia o indivíduo no mistério de Deus e no mistério da pessoa.
A moralizante tem como principal objectivo evitar as faltas e os pecados. Parte do ideal de perfeição moral e está em permanente perigo de criar escrúpulos de consciência.

Libertadora e não asfixiante
Uma espiritualidade saudável tende a introduzir o ser humano numa vivência de Liberdade: a liberdade dos filhos de Deus. A liberdade interior, que se consegue por uma ascese espiritual, é o único local onde se consegue a libertação dos factores exteriores condicionantes, nomeadamente as expectativas e exigências que são impostas.

Criadora de unidade e não de divisão
Uma espiritualidade saudável implica na relação com os outros com sentimentos fraternos.
O indivíduo sente-se profundamente solidário com cada ser humano: nas suas limitações e fragilidades, e no desejo de salvação.
Quando uma «espiritualidade» classifica as pessoas em crentes e não crentes, entre ortodoxos e hereges, entre piedosos e depravados, entre bons e maus, está a dar uma mostra clara de que é uma espiritualidade a precisar de cura.
Uma espiritualidade de unidade valoriza o sentido das relações interpessoais
A vida espiritual saudável precisa de boas relações humanas, cordiais, relaxadas, nas quais se possa dedicar aos outros o próprio tempo.
Uma amizade autêntica e profunda fertiliza a vida espiritual.

Encarnada e não separada da realidade
Uma espiritualidade sã capacita a pessoa para, a diário, fazer bem as suas coisas, superando as dificuldades inevitáveis do trabalho e do contexto social.
Se se busca na espiritualidade uma fuga à realidade, está no bom caminho para “adoecer no espírito”.

Que procura Deus e não os seus consolos
O cultivar a vida espiritual tem como objectivo ter experiências espirituais.
Mas há o perigo de se ficar pelas vivências e sentimentos, que acabam por ser o mais importante, relegando a questão do sentido – e Deus – para um segundo lugar.
As experiências isoladas nada dizem da qualidade da vida espiritual. Esta demonstra-se no caminho do amor dado e recebido nas interligações fraternas, e consequente compromisso.

Global e não excluente
Uma espiritualidade saudável contempla a totalidade da pessoa, todas as suas dimensões:
- entendimento e vontade;
- coração e sentimentos;
- espírito e corpo;
- consciente e inconsciente .
Tudo deve ser abrangido pela vida espiritual.

Humilde e não orgulhosa
A humildade é o melhor critério para discernir da saúde de uma vida espiritual.
“A humildade é a base e o fundamento de todas as virtudes e sem ela não há nenhuma que o seja” (Cervantes).


In LA SALUD COMO TAREA ESPIRITUAL
DUFNER, MEINRAD y GRUN, ANSELM
NARCEA, S.A. DE EDICIONES
ISBN: 8427713320


[enviado por L.M. FIGUEIREDO RODRIGUES]

terça-feira, novembro 07, 2006

Resultados (2)

A Espiritualidade é uma dimensão da Pessoa, que como as outras, em situação de doença, deve merecer igual prioridade por parte dos profissionais de saúde. Na actualidade, muitos estudos da Academia provam estas realidades e das consequências benéficas para os pacientes e seus significativos. No entanto, continua a ser necessário a existência de estudos de caso que permitam de uma forma mais concreta, operacionalizar a ajuda que os profissionais de saúde, especialmente os Enfermeiros podem prestar.

No "Critical Care Nurse" de Dezembro de 2005, o artigo "Intensive Spiritual Care"[1] realiza esse objectivo. Descreve uma situação de internamento numa Unidade de Cuidados Intensivos de uma doente de opção religiosa Budista, estando o seu estado crítico e havendo barreiras de comunicação com a família por esta não falar bem Inglês (não posso aqui deixar passar a analogia com a situação portuguesa, com o aumento do número de imigrantes com outras linguas-mãe e confissões religiosas...).

Para a prestação de cuidados de Enfermagem, foi sentido pelos autores do artigo a necessidade da existência de um Modelo de Apoio Espiritual, tenso sido proposto o modelo de Fitchett de 7 Dimensões.

As Dimensões propostas por Fitchett são [tradução livre]:

1 - Crenças e Significados - Missão pessoal ou religiosa, a justificação dos eventos ou circunstâncias, a percepção do significado da vida;

2 - Autoridade e Orientação - Individuo ou grupo em que a pessoa ou a sua família deposita confiança e procura aconselhamento, recursos (textos religiosos) a que os doentes ou as suas famílias possam recorrer;

3 - Experiências e Emoções - Percepções do evento ou da circunstância associada à doença, suas consequências emocionais face à experiência;

4 - Comunidade - Grupo formal ou informal que partilha crenças e rituais comuns;

5 - Rituais e Práticas - Actividades significativas e tradições específicas;

6 - Coragem e Crescimento - dúvidas, as mudanças ocorridas nas suas vidas e os desafios enfrentados;

7 - Vocação e Consequências - decisões morais e éticas que manifestam a m resposta ao chamamento das suas crenças.


A reflectir...

[Enviado por CARLOS CARGALEIRO]

_________________
[1] Johnson, TD - Intensive Spiritual Care. A Case Study. Critical Care Nurse, Vol 25, nº 6, Dez 2005:20-27

terça-feira, outubro 03, 2006

Teoria (2)




“A religiosidade popular aparece-nos como um conjunto de comportamentos, ritos e gestos religiosos de um povo, caracterizados pela simplicidade que, dentro da bipolaridade «religião oficial/religião praticada», manifestam, por um lado, a sua relação com o divino, e por outro, a sua contextura sócio-cultural portadora de elementos étnicos e de «desvios» inconscientes”.


In LIMA, José Da Silva – Deus, Não Tenho Nada contra : Socialidades e Eclesialidade no Destino do Alto – Minho: Faculdade Teologia Porto, (Dezembro) 1994. (Biblioteca Humanística e Teológica) ISBN 972-9290-09-1

[enviado por L. M. FIGUEIREDO RODRIGUES]

sexta-feira, setembro 29, 2006

Escutar os outros (3)


Da mesma forma que não se pode curar os olhos sem a cabeça,
Ou a cabeça sem o corpo
Também não de deve tentar curar o corpo sem a alma.
Pois a parte nunca pode ficar boa,
Se o todo não estiver bem


Platão

[enviado por J.C.Quaresma]

sábado, agosto 19, 2006

Teoria (1)

O Spiritual Work Group do International Work Group on Death, Dying, and Bereavement publicou em 1990 trinta e um pressupostos e princípios sobre cuidados espirituais aos pacientes e suas famílias, profissionais de saúde, comunidades, investigação e educação nesta área[1]. Estes pressupostos reconhecem que todas as pessoas têm uma dimensão espiritual, que expressam de diferentes formas e que influencia como os pacientes e seus cuidadores experienciam a doença, o morrer ou o luto.

Elizabeth Taylor propõe-nos uma selecção de doze daqueles pressupostos e princípios [2]:

  • Pressuposto: Cada pessoa tem uma dimensão espiritual.
  • Princípio: No cuidado total, a natureza espiritual da pessoa deve ser considerada tanto quanto as dimensões física, mental, emocional.
  • Pressuposto: Numa sociedade multicultural a natureza espiritual de cada pessoa é expressa por crenças religiosas e filosóficas e as práticas diferem substancialmente, dependendo da raça, do género, do estatuto social, da religião, da etnia e da experiência de cada um.
  • Princípio: Uma única abordagem de cuidados espirituais não é suficiente em sociedades multiculturais; são necessários muitos tipos de recursos.
  • Pressuposto: A espiritualidade tem muitas facetas. Expressa-se e desenvolve-se por caminhos formais e informais, religiosos e laicos.
  • Princípio: Deve estar disponivel e acessível uma grande variedade de oportunidades para expressar e desenvolver a espiritualidade.
  • Pressuposto: O ambiente molda e pode desenvolver ou prejudicar a espiritualidade.
  • Princípio: Os planos de cuidados devem considerar as preferências individuais e experiências comunitárias.
  • Pressuposto: Os clientes podem ter já um modo de satisfazer as suas necessidades espirituais de forma satisfatória.
  • Princípio: Os enfermeiros deverão respeitar a forma como os clientes satisfazem as suas necessidades espirituais.
  • Pressuposto: As necessidades espirituais dos clientes podem variar no decurso de uma doença.
  • Princípio: Os enfermeiros precisarão estar atentos à variação das preocupações espirituais que podem ser expressas nas diferentes fases da doença.
  • Pressuposto: As necessidades espirituais podem surgir a qualquer hora e em qualquer dia.
  • Princípio: Um ambiente cuidativo deverá estar preparado para promover cuidados espirituais em qualquer momento.
  • Pressuposto: Os seres humanos têm diferentes níveis de desenvolvimento espiritual, crenças e formas de conhecimento.
  • Princípio: Os enfermeiros deverão conhecer vários sistemas de crenças e compreender a interpretação que o cliente faz deles.
  • Pressuposto: Os clientes e as suas famílias podem ter diferentes crenças espirituais e não estar conscientes disso.
  • Princípio: Os enfermeiros deverão conhecer as diferentes crenças dos membros da família e estar atentos às dificuldades que isso pode provocar.
  • Pressuposto: A forma como cada cliente e família deseja analisar e partilhar problemas espirituais é muito individual.
  • Princípio: Os enfermeiros devem ser sensíveis aos desejos individuais e não ser intrusivos.
  • Pressuposto: Os clientes nem sempre estão conscientes ou capazes, ou desejam falar de questões espirituais.
  • Princípio: Os enfermeiros, conscientes que o cliente não quer partilhar com eles questões espirituais, devem providenciar o acesso a outros recursos que o cliente deseje.
  • Pressuposto: O crescimento e cura espiritual podem ocorrer sem ajuda. Muitas pessoas não desejam nem precisam de assistência profissional no seu crescimento espiritual.
  • Princípio: A afirmação da disponibilidade de ajuda espiritual, se desejada, pode ser tudo quanto o paciente precisa.

    [tradução livre]
    _________________________
    [1] International Work Group on Death, Dying, and Bereavement (1990). Assumptions and principles of spiritual care. Death Studies. 14(1):75-81.
    [2] Taylor, Elizabeth J. (2002) - Spiritual Care. Nursing Theory, Research, and Practice. Upper Saddle River, New Jersey: Prentice Hall. p. 25-27

sábado, agosto 12, 2006

Conceitos (5)

Espiritualidade é:
the quality of those forces which activate us, or are the essential principle influencing us. Spiritual, although is might, does not necessarily mean religious; it also includes the psychological. The spiritual is opposed to the biological and mechanical, whose laws it may modify"

(Vaillot, M. C. (1970) "The spiritual factors in nursing". Journal of Practical Nursing, 20, p. 30)

[“a qualidade daquelas forças que nos estimulam, ou são o princípio essencial que nos influencia. Espiritual, embora possa ser, não significa necessariamente religioso; inclui também o psicológico. O espiritual é oposto ao biológico e mecânico, cujas leis pode modificar " (tradução de Ana Caramelo) ]

Conceitos (4)

Espiritualidade é:

"involves a vertical dimension (i.e., a person's relationship with God, the transcendent, supreme values) and a horizontal dimension (i.e., which "reflects and 'fleshes out' the supreme experiences of one's relationship with God through one's belief, values, life-style, quality of life, and interactions with self, others, and nature..."

(Stoll, R.L. (1989), The essence of spirituality. In Carson, V.B. (ed), Spiritual dimensions of nursing practice. Philadelphia: Saunders, p.7)

[“envolve uma dimensão vertical (por exemplo, relacionamento de uma pessoa com Deus, o transcendente, os valores supremos) e uma dimensão horizontal (por exemplo, que “reflecte e encarna as experiências supremas do relacionamento com Deus através das suas crenças, valores, estilos de vida, qualidade de vida, e interações com o eu, os outros e a natureza…” (tradução de Ana Caramelo) ]

domingo, julho 30, 2006

Narrativas... (3)

[...] Gosto do paradigma de um Deus criador, um Deus poético com o prazer de criar seres humanos que sejam a alegria uns dos outros e façam, deste mundo, um jardim para todos (Génesis 1 - 2).
Gosto de um Deus que não se preocupa com Deus - nem com o culto divino -, um Deus que não cuida de Deus, mas das relações entre os seres humanos que são irmãos, embora julguem que são rivais e procurem levar as suas rivalidades até aos céus. Diante da guerra, a Sua preocupação declarada é esta: que fizeste do teu irmão? A voz do seu sangue brada aos céus, mas ai de quem responde à violência com violência (Génesis 4) [...].


Frei Bento Domingues, in Publico, Lisboa, 23.7.2006

[ler aqui texto integral]

Narrativas... (2)


Que venho procurar a Taizé? Eu diria uma espécie de experimentação com aquilo em que acredito muito profundamente, nomeadamente que aquilo a que geralmente se chama religião tem a ver com a bondade. Está um pouco esquecido, em particular em várias tradições do cristianismo. Quero dizer que há uma espécie de restrição, de fechamento na culpabilidade e no mal. Eu não subestimo de forma nenhuma este problema, que muito me ocupou durante várias décadas. Mas, aquilo que de alguma forma tenho necessidade de verificar, é que por muito radical que seja o mal, não é tão profundo como a bondade. E se a religião, as religiões, têm um sentido, é o de libertar o fundo de bondade dos homens, de ir procurá-lo aí onde ele está completamente escondido. Ora, aqui em Taizé, eu vejo irrupções de bondade na fraternidade entre os irmãos, na sua hospitalidade tranquila, discreta, e na oração, onde vejo milhares de jovens que não têm articulação conceptual do bem e do mal, de Deus, da graça, de Jesus Cristo, mas que têm um tropismo fundamental em direcção à bondade."

Paul Ricoeur, durante a sua estada em Taizé na Semana Santa de 2000

[texto e foto encontrados aqui ]

Narrativas... (1)

Ao longo dos anos, o Irmão Roger e a Madre Teresa encontraram-se nas situações mais diversas, não só em Calcutá e em Taizé, como também noutros locais.
O Irmão Roger escreveu: «Perto do corpo de Madre Teresa, recordei-me de tudo o que tínhamos em comum e de um modo especial apercebi-me até que ponto nas nossas vidas a oração nos tinha sempre oferecido a frescura de uma fonte. Vivíamos a mesma certeza, uma comunhão com Deus fazia sair de nós próprios e estimulava a aliviar o sofrimento humano sobre a terra.»

[encontrado aqui]

sexta-feira, julho 28, 2006

Reflexão (1)

[na sequência da minha última conversa com a Florbela…]

O desenvolvimento da consciência espiritual é essencial para a aquisição de competências na área dos cuidados espirituais. Danvers afirma mesmo que “para identificar as necessidades espirituais do paciente, as enfermeiras precisam ter consciência da sua própria espiritualidade, quer seja no âmbito de uma religião oficial, quer numa forma menos convencional”(1).
Vamos percebendo que alguns enfermeiros não pensam muito acerca da sua própria espiritualidade ou ficam desconfortáveis com a exploração dos seus pensamentos, sentimentos e crenças espirituais… No entanto, a consciência que o enfermeiro tem da sua vida espiritual, pode ter uma profunda influência na sua capacidade de oferecer cuidados espirituais efectivos e eficientes.
Por exemplo:
1. se tenho alguém com quem discuto a experiência de “ausência” de Deus na minha vida, posso estar disposta a escutar a dor espiritual do meu paciente quando este me confia: “por vezes interrogo-me se Deus está comigo….”
2. se fui magoada por membros da minha igreja e não acredito mais que as formas institucionalizadas de religião podem ajudar no desenvolvimento espiritual, evitarei chamar o capelão do hospital acreditando estar a agir no melhor interesse do paciente…

Tomar consciência do que se passa comigo pode fazer toda a diferença, não vos parece?

(1) Danvers, M. A. (1998) Keeping in good spirits. Nursing Management, 5(5), 35-37

Margarida Vieira

domingo, julho 23, 2006

Sugestões (5)

Vale a pena ler:

Clarke J. (2006), "A discussion paper about 'meaning' in the nursing literature on spirituality: An interpretation of meaning as "ultimate concern" using the work of Paul Tillich".International journal of nursing studies.Jul 13

Spirituality is often explained in the nursing literature as the patient's quest to find meaning in life and in their experiences. This is most often described in an unlimited and unconditional way defined by whatever interpretations the person places upon it. This opens it to a variety of understandings, some of which may be negative and unhelpful in terms of what we usually consider to be spiritual well being. This discussion paper attempts to look beyond the generality of this idea to examine whether our concept of having meaning, if used in terms of spirituality, should be conditional on meanings which are actually to do with the depth of our being and not meanings which only give pleasure and satisfaction. The paper attempts to do this in two ways. First it explores the beliefs of Victor Frankl to ask the question whether having meaning alone is sufficient to provide spiritual comfort or whether the content of the particular beliefs associated with meaning, may matter. Frankl is often used as a source for the idea of spirituality being to do with meaning and in this paper Frankl's thought is explored in detail to see his own underlying beliefs which helped in his life experiences. Secondly, an understanding of 'meaning' as being conditioned by something "ultimate" described by Paul Tillich is explored. This would give nursing a more structured and purposeful approach to using the term 'meaning' in relation to spiritual care and in addition it would open up a way forward in terms of researching which particular meanings might be most helpful in illness and adversity.

sábado, julho 22, 2006

Resultados (1)

Religiosidade entre adultos americanos

Crenças básicas

83% acreditam na existência de Deus.
80% acreditam ter uma relação pessoal com Deus.
12% acreditam na existência de um espírito ou força da vida.
5% não conhecem ou não acreditam em Deus ou outra transcendência.
65% acreditam no demónio.
90% acreditam no céu.
73% acreditam no inferno.
79% acreditam em milagres.
72% acreditam em anjos.
27% acreditam na reincarnação.
23% acreditam na astrologia.
80% esperam ser chamado diante de Deus no Dia do Juízo.
61% acreditam que o mundo caminhará para um fim ou será destruído.

Religião
69% consideram-se membros de uma igreja, sinagoga, ou outro grupo religioso.
92% afirmam uma preferência religiosa (58% Protestantes, 25% Católicos Romanos, 2% Judeus, e menos de 1% preferem Hinduismo, Budismo ou Islamismo).
58% afirmam que a religião é muito importante na sua vida pessoal (32% afirmam que é moderadamente importante).
61% afirmam que a religião pode responder a todos ou à maior parte dos problemas de hoje.
57% confiam nas organizaçõe sreligiosas.

Práticas
31% vão à igreja regularmente uma vez por semana.
75% oram pelo menos diariamente.
95% afirmam que as suas orações tem sido atendidas.
77% estão satisfeitos com a sua vida de oração.
37% desejam que a sua fé seja reforçada.

Gallup, G.H., Jr (1996)- Religion in American. Princeton, NJ: Princeton Religion Research Center.




Sugestão: aproveite agora e passe pelo CSR (Center for the Study of Religion, Princeton University)

sexta-feira, julho 21, 2006

Conceitos (3)

Espiritualidade é...

"Spirituality refers to the propensity to make meaning through a sense of relatedness to dimensions that transcend the self in such a way that empowers and does not devalue the individual. This relatedness may be experienced intrapersonally (as a connectedness within oneself), interpersonally (in the context of others and the natural environment), and transpersonally (referring to a sense of relatness to the unseen, God, or power greater than the self and ordinary resources)"

P. G. Reed (1992) "An emerging paradigm for the investigation of spirituality in nursing". Research in Nursing and Health, 15, p.350

[“Espiritualidade refere-se à propensão de dar significado através da relação das dimensões que transcendem o ser de tal maneira que dá poder e não desvaloriza o indivíduo. Esta relação pode ser experienciada intrapessoalmente (como uma conexão dentro do próprio “eu”), interpessoalmente (no contexto de outros e do ambiente natural), e transpessoalmente (referindo-se a um sentido de ligação ao oculto, Deus, ou poder superior ao eu e aos recursos ordinários)" (tradução de Ana Caramelo) ]

terça-feira, julho 18, 2006

Conceitos (2)

Espiritualidade é...

"...is rooted in an awareness which is part of the biological make up of the human species.
Spirituality is therefore present in all individuals and it may manifest as inner peace and strength derived from perceived relationship with a Transcendent God/an Ultimate Reality, or whatever an individual values as supreme. The spiritual dimension evokes feelings which
demonstrate the existence of love, faith, hope, trust, awe, and inspirations; therein providing meaning and a reson for existence."
Narayanasamy, A. (1999), "ASSET: A model for actioning spirituality and spiritual care education and training in nursing". Nurse Education Today, 19, p.274-275

[“… está enraizada numa consciência que faz parte do construir biológico da espécie humana.
Consequentemente, a espiritualidade está presente em todos os indivíduos e pode manifestar-se como a paz interior e força, derivadas de relacionamento percebido com um Deus Transcendente/uma realidade Final, ou tudo o que um indivíduo valoriza como supremo. A dimensão espiritual invoca sentimentos que demonstram a existência do amor, da fé, da esperança, da confiança, do deslumbramento e das inspirações; e daí provém o significado e a razão para a existência. “ (tradução de Ana Caramelo) ]

segunda-feira, julho 17, 2006

Conceitos (1)

Espiritualidade é...

"...a unifying force of a person; the essence of being that permeates all of life and is manifested in one's being, knowing, and doing; the interconnectedness with self, others, nature, and God/Life Force/Absolute/Transcendent"

Dossey, B. M.; Guzzetta, C.E. (2000). Holistic nursing practice (cap 1). in: Dossey, B.M., Keegan, L., Guzzeta, C.E. (eds), Holistic nursing: A handbook for practice. 3rd ed., Rockville, MD: Aspen, p.7

[...uma força unificadora da pessoa, a essência de ser que permeia toda a vida e se manifesta no próprio ser, saber e fazer: a conexão com o eu, os outros, a natureza, e Deus/Vida/ Força/Absoluto/Transcendente " (tradução de Ana Caramelo)]

domingo, julho 09, 2006

Notícias (1)

Lori Knutson, directora do Institute for Health and Healing do Abbott Northwestern Hospital, nomeada American Holistic Nurse of the Year 2006 pela American Holistic Nursing Association (AHNA). Mais informação...

sábado, julho 08, 2006

Sugestões (4)

"Trata-se, afinal, de entre outros objectivos, o de renovar a esperança!"


Uma frase que poderia pertencer a um post deste blog. Mas está aqui. Num blog que já nos linkou...

Vamos lá comentar?